sexta-feira, 1 de junho de 2007

A HISTÓRIA DO SR. JUCA

A HISTÓRIA DO SR. JUCA


As forças da minha mente
Guiadas assim por Jesus
Desenvolve a memória
Com uma resplendida luz
Pois não vou ficar sozinho
Caminhando no caminho
Falo no que me despuz.


Pois os segredos da vida
Pessoa algumas descobre
Por mais que tenha ciência
Nem o rico nem o pobre
Por mais que você peleja
Alcançar o que você deseja
Mais os segredos encobre.


No auge da dor pediu
Proteção ao Salvador
Dizendo: Meu bom Jesus
Eu não sou merecedor
Mas daí-me vossa proteção
Veja a situação
Deste pobre sofredor.


E com o decorrer do tempo
Que os filhos foram crescendo
Sempre melhorou um pouco
Pois os filhos já sabendo
Algumas coisas a fazer
Assim podia obter
Coisas pra irem vivendo.


Maria Nelsa a mais velha
Mocinha trabalhadeira
Ajudava muito em casa
Pois era uma pioneira
Todo trabalho fazia
Trabalhando noite e dia
Espertinha e bem ligeira.


Francisco Inácio também
Honesto trabalhador
Só até os 18 anos
Ele em casa ajudou
Foi cuidar da sua vida
Arranjou uma querida
E bem novinho casou.


Aqui eu peço desculpa
De em todos não falar
Mais sei que foram bons filhos
Isto posso eu afirmar
Enquanto eram de menor
Para que coisa melhor
Todos juntos a trabalhar.


Apenas vou prosseguir
A história novamente
Do Sr. Juca, o homem
Que era muito doente
Se restabeleceu
Ou o que aconteceu
Com a vida deste cliente.


Pra começar Juca morava
Na terra de um patrão
Chamando-se José Lúcio
Esse horroroso cidadão
Era rico e muito nobre
Caritativo dos pobres
Com nenhum tinha questão.


E assim Juca vivia
Na sua humilde casinha
Ou ao lado de sua família
E sua esposa Mariinha
Como ela era prostada
E ele sem fazer nada
Poucas coisas ele tinha.


No ano de 72
Mariinha faleceu
A tempo estava prostada
De repente adoeceu
Já se achando abatido
Partiu-se o fio da vida
A Sete de Maio morreu.


Para Sr. Juca foi
Mais uma dor com certeza
Se separar da esposa
Pois a sua natureza
Não agüentou sem chorar
Pelejou pra agüentar
Mas não teve uma defesa.


E ficando assim viúvo
Só com as filhas mais novas
A casula com nove anos
Queria dar uma prova
Pensou casar novamente
Pra mulher ajudar a gente
Até baixar a cova.


Maria Alice Rodrigues
Moça idosa e conhecida
Honesta trabalhadeira
Cuida da casa e da comida
Juca disse é aquela
Que eu me caso com ela
Para o resto da minha vida.


De início tudo deu certo
Falou a moça, ela quis
Brevemente se casaram
Pensando ser bem feliz
Mais tudo foi um engano
Foi derrotado seu plano
Assim a história diz.


Porque a dita moça
Não aceitou dele os carinhos
Ele disse eu me casei
Foi pra não ficar sozinho
Por isso assim não dar certo
Nós tem é que dormir perto
Pois não somos mal vizinhos.


Portanto não aceitando
As propostas do marido
Ela pra um lado, ele para outro
Vivendo assim dividido
Pra que desgosto maior
Casar para viver só
A vida não tem sentido.


E assim apenas dois meses
Maria Alice ficou
Na casa do Sr. Juca
Depois que se casou.
Brevemente foi embora
Pra Acaraú onde mora
E assim se separou


Tornou ficar sozinho
Casar não quis saber mais
Dizia ele é melhor
Viver sozinho em paz
Do que mau acompanhado
Antes não ter me casado
E perder meu cartaz.


Vamos deixar Juca aqui
Sofrendo a separação
Para falar sobre outro caso
Que tornou-se em aflição
É sobre a terra onde mora
Portanto vemos agora
Qual é a situação.


O leitor está lembrado
Onde o Sr. Juca morava
Na terra do Sr. José Lúcio
A quem dos pobres gostava
Com ninguém fazia questão
Tinha os moradores como irmão
Na casa que ele chegava.


As terras que ele possuía
Todas tinha moradores
Faziam o que queriam
Todos aqueles senhores
José Lúcio não se importava
Por que ele mesmo achava
Que todos tinham seus valores


Em uma destas terras
É que Juca morava
E por isso toda vida
Com o patrão ele se dava
Nem uma ameaça se quer
As propostas de José
Aos moradores não agrava


Mas é que esse bom homem
Um certo dia morreu
E ficou para os herdeiros
Tudo que era seu
Ai a questão rolou
Porque José Lúcio não assinou
As terras que ele deu.


Por exemplo a terra do seu Juca
Sr. José Lúcio tinha dado
Os herdeiros não acreditaram
Por não ter papel assinado
E para adquirir
Precisou constituir
Um simples advogado


Depois venderam as terras
Para vários compradores
Foi quando piorou
Para todos moradores
O Sr. Juca coitado
Ficou mais preocupado
Aumentando suas dores


Deixou Sr. Juca aqui
Na maior preocupação
Vou falar em outro caso
Pois é minha obrigação
É na morte de três filha
Que para um pai de família
É de cortar coração.


A sua filha Noeme
Com um ano de casada
O marido lhe deixou
E estando assim separada
Com dez filhos para criar
Sempre estava a reclamar
Aquela pobre coitada.


Além de não ter marido
Não tinha ajuda de ninguém
A não ser do seu papai
Que era pobre também
E assim ela vivia
Perdendo sua alegria
Não quis amar outro bem.


Com pouco tempo depois
Noeme adoeceu
Foi feito bons tratamentos
Não teve jeito, morreu
Com a morte de sua filha
Aquele pai de família
Bastante padeceu.


Ainda mais que ficou
Os netos para ele criar
Mais as dificuldades
Entrava sobre seu lar
Nessa época ele não tinha
Nem feijão e nem farinha
Nem dinheiro para comprar.


Mais como Deus é quem cria
E o jeito foi este jeito
Ficou lá com os netinhos
Criando bem satisfeito
Botou-os pra trabalhar
Para eles não ficar
Tomando os seus direitos


No passar de alguns anos
Outra filha adoeceu
Mesmo sendo medicada
Não teve jeito morreu
Mais outro golpe outra dor
Que o Sr. Juca passou
Bastante entristeceu


Ao cabo de mais oito anos
Juca bem sossegado
Quando chega uma pessoa
Lhe dando um recado
Que outra filha tinha morrido
Ele ficou sem sentido
Bastante preocupado
Pra ele foi um grande susto


Mais tendo recuperado
Ainda meio indeciso
Disse muito obrigado
E então o portador
Rapidamente voltou
Juca ficou angustiado
Vamos deixar o Sr. Juca
Sofrendo mais e mais


E vamos ver a história
Que ficou para trás
Das terras aonde ele morava
Se ficou como estava
Ou se tirarem-lhe a paz.
Foi assim o que aconteceu


Sr. Juca era apossado
Além do lugar da casa
Que o dono tinha dado
Quando chegou os herdeiros
As terras todas venderam
Ai, sim ficou danado.


Porque quem comprou a terra
Queria desocupá-la
E começou a questão
Deu a maior enrolada
Alguns deles bancou bobo
Entrou na boca do lobo


Sem ter direito a nada.
Dede filho do Sr. Juca
Na mesma terra mora
Bem pertinho do seu pai
Porem disse: e agora


Eu só fico satisfeito
Se nós não tivermos direito
É que podemos ir embora
Sr. Antonio Morais
É que foi o comprador
Das terras do Sr. José Lúcio
Onde o Sr. Juca se apossou


Era ele e outros mais
Não tinha nem um capaz
De enfrentar esse senhor.


A não ser o Sr. Juca
Mais seu filho Dedé
Faziam reuniões
E metiam muita fé
Eles eram satisfeito
E diziam deste jeito
Nos vencemos porque Deus quer.


No começo os direitos
Que cada casa ia ganhar
Era somente o chão
Que tivesse de ocupar
Uma palnia fora da parede
Podia morrer de sede
Não tinha direito a mandar.


A questão foi muito em frente
Foi em juiz e delegacia
E as propostas do dono
Nem um morador queria
Nestas alturas o Sr. Juca
Esquentava muita a cuca
Muitas coisas ele sentia.


Neguim conta mais às vezes
Que este povo foi chamado
Na presença do juiz
E que foi ameaçado
Sem resolver esta questão
E quantas decepção
De deixar envergonhado.


Finalmente a muito custo
Juca e Dedé achou direito
De recebe por cento
Ainda teve este jeito
Tudo isto aconteceu
E assim se resolveu
Deixando-os bem satisfeito.


Tudo que aconteceu
Na vida do Sr. Juca
Em qualquer pessoa fraca
Era de deixar maluca
Quebrando prato e colher
Quebrando xícara e talher
Quebrando pote e combuca.


Mais era um homem de fé
Tinha uma humilde tendência
Zelava por sua vida
Tinha boa experiência
Tudo isto aconteceu
Não sei como não morreu
Sofria com paciência.


Passando anos e anos
Chega a velhice também
Ajuda quem não morre novo
Ainda mais quem adoece
Quem sofre e quem padece
A sua hora breve vem.


Foi o que aconteceu
Com esse nosso irmão
Já com seus 78 anos
Chegou a ocasião
De Deus fazer seu chamado
Mais Juca despreparado
Deus suspendeu sua mão.


Fez sofrer uma trombose
Pra sua preparação
Para que também seus filhos
Seus parentes e irmãos
Viesse visitá-lo
Consciente conformá-lo
Pra triste separação.

O SOFRIMENTO DE NELIM - Manoel Edésio dos Santos

O SOFRIMENTO DE NELIM

A Ciência e a memória
São dons de Deus para nós
Se a gente executar
E ouvir dele a voz
Tudo será agradável
A vida será suave
Nos diz o profeta Amós.


A sorte quem dar é Deus
A vida o homem procura
Não sei se será por sorte
Que nossa vida é insegura
Com saúde ou doença
Vamos por em frente
A nossa vida futura


Meu avô dizia que
Atrás do homem anda um bicho
E este bicho era o cão
Da cara de carrapicho
Pra não se cair no laço
Precisava dar espaço
E se ter muito capricho


Isto eu acredito
Porque o que aconteceu
Com quem nunca brigou
E também nunca bebeu
Ter passado o que passou
E sofreu o que sofreu


A vítima de quem falo
É conhecido por Nelim
Manoel Edésio dos Santos
É o seu nome todinho
Vou contar o que se deu
O tanto que ele sofreu
Do começo até o fim
Vou contar o que se deu


Antes do que vou falar
Nelim trabalhando só
Sem em coisa alguma pensar
Quando soprou um vento forte
Vindo do lado do Norte
Só para lhe atrapalhar
Quando o redemoinho passou


Ele de olho fechado
Mas, porém quando abriu
Um cisco já tinha entrado
Ardia igual a pimenta
Que saiu água na venta
Corria pra todo lado.


Foi remédio e mais remédio
Esforço e mais esforço
As lágrimas caiam tantas
Que no chão ficava o poço
Ele olhava no espelho
Via o olho vermelho
Já o rosto ficando grosso.


Foi ao Posto de Saúde
Para ver se tinha um jeito
O enfermeiro de lá
Deixou-lhe mal satisfeito
Com uma ponta de papel
Fazendo dele pincel
Se tira cisco deste jeito?


Assim mesmo ainda deu
Umas quinze cutucadas
O pobre só não gritava
Para não fazer zoada
Mas ainda se valia
Muito de Santa Luzia
E Maria Imaculada
Quando viu não tirava


O mesmo cara mandou
Nelim foi ao hospital
Coitado cheio de dor
Foi com os olhos fechado
Babando para todo lado
E até que lá chegou.


Chegando falou com uma enfermeira
O seu caso de urgência
Ela falou para o médico
Este sem experiência
Quando foi examinar
Só faltou o olho rasgar
Como quem faz violência.


Assim mesmo ainda passou
Um colírio especial
E Nelim voltou pra casa
Achando tudo ilegal
Ele pensava em segredo
E já estava com medo
Não virasse em outro mal


Como o colírio não trouxe
Ele foi melhorando
E o cisco dentro do olho
Doendo e arranhando
E o pobre sem fazer nada
Com a vida atrapalhada


E o tempo se passando
Disseram que o João Ciriaco
Tirava cisco, de olho também
Nelim foi lá, ele disse:
Olha, condição não tem
Que o olho ta inflamado
Enquanto tiver inchado
A anestesia não pega bem


Passou uns antibióticos
Para ele tomar
E disse que com dois dias
Ele podia voltar
Que estava desinflamado
Enquanto tiver inchado
Ele pode até tirar


Como de fato com dois dias
Novamente Nelim voltou
E estando assim capaz
João Ciriaco nestesiou
E não ficou satisfeito
Porque fiz todo jeito
E o cisco não tirou


Tendo feito um curativo
Disse se não tiver legal
Com três a quatro dias
Nós iremos a Sobral
A um doutor oculista
Um bom especialista
Pra desvendar este mal


Como já estava previsto
Depois foram a Sobral
Procurarem uma ótica
De um médico especial
Como de fato doutor
Quando o cisco tirou
O olho ficou normal


João Ciriaco pegou tudo
A consultar oitocentos
E pagou cem passagem
Um total de novecentos
Com tudo ficou satisfeito
Nelim disse deste jeito
Este é o homem do momento.


Só com o cisco no olho
Passou dezessete dias
Sem arribar uma palha
Mais nunca se maldiga
Pela fé tudo agüentava
Sempre quando conversa
Demonstra alegria


Depois dos dezessete dias
Num dia de sexta-feira
Já se achando bem bom
Segui a sua carreira
Os trabalhos começaram
Sexta e sábado trabalhou
E planejou segunda-feira
O que eu ia falar
Foi do que aconteceu


Logo domingo em frente
Nelim se resolveu
Ir a noite passear
Com suas primas conversar
Veja bem o que se deu


Numa carroça saiu
Com a família todinha
Ele e seus quatros filhos
E sua esposa Terezinha
Raimundo Cosme e dois filhos
E sua esposa Ritinha
Um total de dez pessoas


Iam a este passeio
Entraram em um bico estreito
Já muito além do meio
Vinha um cara numa moto
Foi a maior derrota
Grande foi o aperreio
Da viagem que ele vinha


Barrou de frente á frente
Desmaiou caiu de lado
Deixando Nelim doente
Este cara era o Diogo
Que vinha puxando fogo
Por isto deu-se o acidente.


Nestas alturas já tinha
Gente o arame pulado
Outros ficaram na carroça
Foi aquele espatifado
Tinha gente que corria
Sem saber pra onde ia
E sem ver o resultado.


De repente uma mulher
Por nome de Isaltina
Que vinha no mesmo beco
Com duas crianças pequeninas
Assim que ela chegou
Pegou Diogo e chamou
Com a sua fala fina.


Todos foram os chamados
Que ele logo tornou
Tendo se recuperado
Ali se levantou
Não sei como não morreu
Pelo que aconteceu
Feliz porque escapou.


A moto quebrou o farol
Diogo quebrou os dentes
Nelim com um pé cortado
Pra muito tempo doente
Pois cortou que deu no osso
O sangue fazia poço
E a dor chegou de repente.


Como já estava perto
Da casa que ia
Já transpassado de dor
Quase que dar uma agonia
E acabaram de chegar
Nelim pra não chorar
Com a dor ele tremia


Depressa arranjaram um carro
Com a maior singeleza
Pra fazer os tratamentos
Sem pensar nem em despeza
Foram ao hospital em Cruz
Apelando pra Jesus
Que é o maior na defesa


E Diogo foi também
Pra ser medicado
Estava passando mal
Com um beiço fraturado
Sua voz quase rouca
Saindo sangue da boca
Com alguns dentes quebrados.


Aí chegaram no hospital
No cargo do Sr. Dedé
Dona Isolda uma enfermeira
Atendeu com muita fé
De nelim logo cuidou
Bem ligeiro ponteou
A fratura do seu pé


Uma injeção contra o teto
Ela logo aplicou
E após o curativo
Uns compridos passavam
Tiveram pouca demora
Como já era dez horas
Para casa ele voltou


Diogo voltou também
Pois não tinha condição
Porque tomou umas pingas
Não pode tomar injeção
Porque não dava efeito
A gente estando deste jeito
Pois não ia servir não.


Então passou-se 8 dias
Sem mais comunicação
Sem ter noticias um do outro
Qual a sua condição
Se tinha melhorado
Ou se tinha piorado
Se escapava ou não.


Nos 8 dias a tardinha
Diogo foi ver Nelim
Se estava mais melhor
Ou estava mais ruim
Viu ele fazendo careta
Andando de muleta
Foi logo falando assim


Como é que esta meu amigo
Venho apenas te ver
Por ser um rapaz distinto
Veio para se entender
E por isso perguntou
O que é que o senhor
Quer que eu faça com você.


Nelim disse como ia
E lhe respondeu também
Que pra ele não queria
Dele nem um vintém
Façamos a santa paz
Só isso e nada mais
Procuremos viver bem.


E a despeza do carro?
Pergunta Diogo então
Nelim disse, você paga
E ele disse, pois não
De tudo que aconteceu
Assim se resolveu
Na mais perfeita união.


Vamos fazer uma soma
Dos dias que se passou
Só com o cisco no olho
17 dias não trabalhou
e 20 do acidente
37 dias certamente
a gente já constatou.


E ainda está previsto
Passar mais de 15 dias
Para um pai de família
Viver nesta agonia
Sem ganhar nem um tostão
Sem dinheiro e sem patrão.


“Aí é que a gata mia”.
E aqui vou terminar
Os péssimos acontecimentos
Que passou-se com Nelim
As dores e sofrimento
Peço desculpa ao leitor
Se não lhe agradou
Estes meus tristes lamentos.


Já que pedi as desculpas
Quero dizer que o autor
Que escreveu esta história
Foi o mesmo sofredor
Não podendo trabalhar
Inventou de rimar
O seu caso de horror.


Vai este verso por ultimo
Quem tem começo tem fim
Sei que não rimei bem
Pois minha rima é ruim
E o mais peço perdão
Desculpe os palavrão
Do seu amigo Nelim.

“ORDEM E PROGRESSO” - Manoel Edésio dos Santos

“ORDEM E PROGRESSO” DUAS PALAVRAS BONITAS E DE MUITO SIGNIFICADO.


Olhando para o meu astral
Não vejo a respostas
Destas perguntas O que é Ordem
E o é Progresso?
Certo que com Ordem há progresso,
Mas com o desenfreamento
E a desordem que existe,
O progresso só será miséria
Mas este não é progresso
Que se esperava.


Politicamente está havendo
Ordem e Progresso
Porque os políticos fazem o que querem
Fazem hospitais como arma ou arapuca.
Prédios escolares, Postos de Saúde
Tudo isto para o progresso de sua política
E o pobre oprimido pelos mesmos políticos
Ta é lá nas épocas de eleições
Para votar e pagar os favores que recebeu
Pois acham que é um favor, quando é,
Obrigação deles.


Olhando o lado avesso da história
Vem-me esta pergunta,
Onde está Ordem e progresso?
A igreja com os seus trabalhos
De evangelização e grupos comunitários,
No meu modo de ver, está desorganizado
Porque organização depende muito do povo
O povo não se organiza
Porque já é educado pelo regime do país
Que faz esta desorganização.

Minhas Críticas - Manoel Edésio dos Santos

Minhas Críticas
Frases do CCC


Oh Deus de eterna bondade
Iluminai minha mente
Clareai minha memória
Precisa que esteja presente
Para que nestes meus versos
Não agrave um só vivente.


Sabes que o bem e o mau
Circula entre os cristãos
Aquele que faz o bem
Perdeu o seu irmão
Mas o que faz o mau
Pode não ter o perdão.


Refiro-me de umas frases
Bonitas e construtivas
Escritas sobre paredes
Parece-me que eram vivas
Pensada e refletida
Por pessoas bem ativas.


Só que fiquei pensando
De uma frase que dizia
Como ter uma família melhor
E eu pensei, hoje em dia
Com tantas drogas e assaltos
Ambição e mordomia.


Como ter uma saúde melhor
Outra frase que me trás
Revolta às vezes raiva
O atendimento ruim demais
Ta morrendo pessoas doentes
Nas filas dos hospitais.


Como ter melhor economia
Com essa frase sinto-me frustrado
Porque o salário mínimo
Além de já ser minguado
Os comerciantes metem a bomba
Nos velhos aposentados.


Como ser um bom profissional
Eu critico com razão
Pois ter muita gente estudando
Se formar e ter profissão
Procura e não arruma emprego
Se for pobre ou mesmo negro
Não exerce a profissão.


Como ser feliz
Eu vou dizer como é
Ame a Deus e aos irmãos
Perdoando e pondo fé
Unindo-se em oração
Com Deus em seu coração
Não é feliz quem não quer.


Como ser melhor cristão
Ame a Deus e a verdade
Seja um evangelizador
Pratiquei a caridade
Abra seu coração
Para todos os irmãos
Sem sombra de felicidade.


Como ter educação
Isso eu já tenho criticado
Aluno sem disciplina
Pelos pais abandonados
Usam drogas e cheiram cola
Professoras não controlam
E é mau o resultado.


Idosos esperança de amor
Vejo neles sonhos passado
Vidas que se
Trabalhos realizados
Experiência de vida
Mais muitos são desprezados.


Como cuidar melhor meio-ambiente
Tem jeito, mas é difícil
Porque uns zelam, outros destroem
Uns se esforçam, outros omitem
E como resolver este problema
Com este duro sistema
Eis aí o sacrifício.


Jovens, como ter um futuro melhor
Se soubéssemos que alegria
Poucos pensam no futuro
Muitos só querem alforriar
Alguns sonhar positivo
E outros ficam cativos
No mundo da modernidade.


Como sair do alcoolismo e do tabagismo
Eu acho que não tem jeito
Porque os viciados
Usam e ficam satisfeitos
È raro o quer sair
E quando sai, torna ir
Para o vício do mesmo jeito.


Como evitar acidente no trânsito
Isto me deixa encabulado
Porque os responsáveis
Por mais que tenham cuidado
Não escapa dos irresponsáveis
Com gestos desagradáveis
Dirigindo embriagado.


Desculpe-me caro leitor
De todas as críticas que fiz
Sobre as frases escritas
Sei que não estás feliz
Mas falei pelo o que vejo
E não sei qual o desejo
Do povo deste país.


Cada qual faz por si
Pouco se faz por alguém
E quando faz logo diz
Ele fez a mim também
Isto não é caridade
E troca de amizade
Que muitas pessoas têm.


Quando Jesus veio ao mundo
Mandou fazer caridade
Perdoar e ajudar ao próximo
A todos ter amizade
Ele é o caminho da verdade e da vida
Tornou-se nossa comida
Levando-se a eternidade.

RETRATANDO O MUNICÍPIO - Manoel Edésio dos Santos

RETRATANDO O MUNICÍPIO

Manoel Edésio dos Santos – Poeta de Belém
Produzido por ocasião do Projeto Literatura na Comunidade – Fev 2000


Oh! Deus de eterna bondade
peço Vossa proteção
para falar sobre Cruz
com toda convicção
e o que fez bem pra nós
desde a emancipação.


Antes, Cruz era pequena
depois tornou-se distrito
tinha uma igreja e poucas casas
era muito esquisito
com os anos mudou tudo
depois do seu plebiscito.


Não falarei com detalhes
mas falo de tudo um pouco
quero falar de farinha
de caju, castanha e coco.
E das festas populares
a diversão dos caboclos.


Com a emancipação
abalou-se muita gente.
E Cruz se evoluiu
cresceu assustadoramente.
quem viu ela no passado
vê que ela está diferente.


Vejamos as nossas ruas
com seus nomes adequados
e casas numeradas
com endereços aprovados
coisa que não existia
naquele tempo passado.


Cruz é nossa campeã
em saúde e educação
e em seu desenvolvimento
da nossa população
os efeitos do Município
têm boa participação.


Temos nas comunidades
pra alegrar nossa gente
muitos prédio escolares
que é o suficiente
pra educar nossos filhos
com professores inteligentes.


Temos postos de saúde
clínicas e um hospital
que cuida bem dos doentes
qualquer que seja o mal.
Os agentes de saúde
são médicos profissional.


Um problema muito grave
que eu preciso falar
é do rio que divide
ninguém podia passar
entre Cruz e Acaraú.
Era de fazer chorar!


Este problema acabou
pois uma ponte foi erguida.
Foi a maior alegria
quando ela foi concluída
pois facilitou o trânsito
de nossa cidade querida.


Antes era um sufoco
tínhamos que ir de canoa
ou a pé atravessando
rio, alagado e camboa
e quem não sabia nadar
às vezes vagava á toa.


Com o desenvolvimento
tudo já melhorou:
temos estrada asfaltada,
pois o progresso chegou.
Demos graças a Deus
porque nossa Cruz se emancipou.


Cruz se transformou
depois que passou à cidade
desde o centro e as ruas
até as comunidades
está tudo diferente
nem imita a antiguidade.


Nós que já somos idosos
vimos bem a diferença
de tudo que evoluiu
mesmo em nossa presença
diante dos nossos olhos
refletindo a gente pensa.


Também em nosso Município
temos muitas diversões
o reisado e as cantorias
festas juninas e leilões,
e histórias de trancoso
de almas e superstições.


Janeiro início de inverno
uma boa ocasião
de se plantar os terrenos
de cultivar o chão
de esperar cair as chuvas
e dar adeus ao verão.


Em janeiro ainda temos
uma comemoração:
a festa do Município.
Para todo cidadão
Que é no dia 14
Com a missa e santa benção.


Nosso Município é novo
só festejou 21 anos.
Desde então tudo mudou
pensamento, cálculo e plano.
Tudo isso agradecemos
Ao nosso Pai soberano.


Em fevereiro se faz
o inesquecível carnaval
alegrando nossas praças,
divertindo o pessoal
também nas danceterias,
os jovens quebram o pau.


Em março, um mês especial
dedicado a São José
mês de ir às praias,
admirar a maré
também se curtir o sol
homem, menino e mulher.


Abril mês de pescaria
sempre bom para o praiano
na verdade eles pescam
todos os meses do ano
mas em abril é melhor
corresponde os vossos planos.


Também o agricultor
chega sua ocasião
de fazer fartura em casa
com a colheita do feijão
com maxixe, milho verde,
melancia e melão.


Quando chega o mês de maio,
temos bastante alegria
este mês é dedicado
à nossa mãe Virgem Maria
durante o mês temo novenas
e a gente vai todo dia.


Em junho festas juninas
é o tempo das quadrilhas
as escolas se preparam
e convidam as famílias
e junto com os alunos
curtem essas maravilhas.


Julho, mês do agricultor
chegam logo as farinhadas
continua pra eles
aquela luta pesada
e a farinhada não tem preço
tem que ficar estocada.


Agosto mês do folclore
cantoria e vaquejada
lendas e adivinhações
banho de praia e pousada
tem as Noites Culturais
que anima a rapaziada.


Setembro começam os cajus
em toda nossa região
neste tempo já melhora
que se ganha algum tostão
tem emprego pra muita gente,
é aquela animação!


Alguns fazem empeleita
pra limpar os cajueiros
outros trabalham a dia
e todos ganham dinheiro,
uns capinam, outros ciscam
e os outros queimam os bauceiros.


temos uma mini-fábrica
que fica bem situada
na Lagoa doa Gregórios
foi uma coisa sonhadora
pra aproveitar os cajus
e não se perder mais nada.


Só que ainda é pouco
precisa-se ampliar
ou colocar outra fábrica
que seja noutro lugar
pra se aproveitar os cajus
e não deixar se estragar.


Outubro, mês animado
aqui em nossa cidade
tem a Festa de São Francisco
a qual nos deixa saudade,
pois o nosso padroeiro
agita as comunidades.


Quero falar um pouco
sobre o Pe. Valdery,
nosso pároco exemplar
pois ele veio assumir,
evangelizar o povo
transformar num mundo novo
o velho que está aí.


É um padre de caráter
de respeito e de carinhos
é exemplo para os fiéis,
pois não estamos sozinhos
pela luz do Evangelho
faz com que os novos e os velhos
sigamos seus bons caminhos.


A Festa de São Francisco
quero dizer pra vocês
só o Pe. Valdery
presidiu 41 vez.
Com muita dedicação
em toda sua justa gestão
agradou-nos no que fez.


Implantou também o dízimo
que já muito melhorou
já reformou a Igreja
para os lados ampliou
parecendo aquela cruz
que nela morreu Jesus
mas provando seu amor.


Todas as festas que passaram
sempre tinham um novo tema
e todos os fiéis gostaram
conforme este seu lema
e este ano deixa uma dúvida
só que não tem problema.


Este ano o tema é
Na festa: Santas Missões
O que dizer aos nossos jovens?
Qual as suas opiniões
Peço aos paroquianos
Que pelo menos este ano
De suas contribuições
talvez o padre insista
para obter uma resposta
e a gente fica na dúvida
sem saber o que os filhos mais gosta
nós pais não queremos ferir
os filhos não querem ouvir
dos próprios pais as propostas


Novembro eu posso dizer
que é um mês importante
quero dedicar a ele
os nossos comerciantes
é um mês de dar mais lucros,
isto eu acho interessante.


Porque eles compram tudo
principalmente os cereais,
por um preço muito baixo
conforme os preços atuais,
estocam e depois vendem
ganham dinheiro demais.


Neste tempo o artesanato
que vem da carnaubeira
dá palha, dá vassoura
dá uru, saca e esteira
dá trança, chapéu e bolsa
na região da ribeira.


Dezembro é fim de ano,
é tempo de refletir
em tudo que se passou
para poder progredir
no próximo ano novo
para a gente não cair.


Quero lembrar que em dezembro
tem o nascimento de Jesus
aquele que é caminho,
a verdade e a luz,
e que para nos salvar
morreu pregado na cruz.


Mostrei um pouco do Município
que é para você saber
os valores e as riquezas
e pra quem quiser conhecer
ainda afirmo que Cruz é
um bom lugar de se viver!

O PINTOR - Manoel Edésio dos Santos

O PINTOR

Oh meu Jesus daí-me força
Pra eu rimar uma história
Daí-me também competência
De abrir minha memória
Quero falar de um pintor
Faça-me este favor
Que no fim quero ter glória


Certa vez um pintor famoso
Quis pintar um quadro interessante
Pra fazer a obra prima
Caminhou passo adiante
Quem podia lhe ajudar
E o que era mais importante.


Primeiro encontrou um sacerdote
E o pintor a ele perguntou
O que é mais importante no mundo
Então o padre lhe falou
Que o mais importante era a fé
Pois Jesus quando curava em Nazaré
Dizia a tua fé te salvou


O pintor começou a imaginar
Como é que vou pintar a fé
Prossegui caminhando na estrada
Encontrou uma jovem ali de pé
Menina me responda em um segundo
Qual a coisa melhor do mundo
Que eu quero saber o que é.


È o amor não tenho uma só dúvida
Pois o amor faz pouco ficar muito
O amor faz o pobre ficar rico
Faz casal discutir e ficar junto
Já tenho até minhas lágrimas enxugando
O pintor disse muito obrigado
Eu gostei de ouvir o seu assunto
Então o pintor seguiu em frente


Encontrou um soldado correndo
Sem saber como pintar o quadro
Quis com ele concluir o seu estudo
Ficaram ali se entreolhando
O soldado foi logo perguntando
O senhor se faz ou é mesmo mudo.


Não senhor eu não sou mudo
Só estou querendo saber
Da coisa melhor do mundo
Que eu quero descrever
Eu vou um quadro pintar
No seu modo de pensar
Faz favor de me dizer


No meu modo de pensar
A coisa melhor é a paz
A paz acaba com a guerra
A inimizade se desfaz
A paz abranda coração
Por mais que o cidadão
Seja perverso demais.


O pintor pensou em três coisas
Que o mundo é importante
A fé o amor e a paz
Achou muito interessante
Voltou para casa e descobriu
Como pintar quadro ele sentiu
Um jeito preponderante.


Mais quando chegou em casa
Seu filho primeiramente
Correu para os braços dele
E ele ficou contente
Os seus olhos brilhando
Foi a esposa encontrando
Com lábios sorridentes.


Dentre dele reinava a paz
Então pensou vou pintar
O quadro de minha família
Pois eu posso acreditar
Pensando assim profundo
Que a coisa melhor do mundo
É a família e o lar.


Pois nos olhos de meu filho
Eu encontrei a fé
E encontrei o amor
No sorriso de minha mulher
E a paz dentro de mim
Quie todos sejam assim
Veja a família o que é.


Eis ai a historinha
Que eu encontrei escrita
Só que não era rimada
Mais como achei bonita
Passei ela em versos
Não me critique eu te peço
Se achar que é esquisita.


Eu achei exemplar
A história do pintor
Peço a toda família
Também ter o seu valor
E que Deus se compadeça
Que em nosso peito cresça
A fé, a paz e o amor.


O pintor já tinha em casa
Tudo mais não sabia
Será que em nós também
Existia esta alegria
Se não temos vamos lutar
Pra fé, o amor e a paz brotar
Em quem nos faz companhia.


O autor é Manoel
Conhecido por Nelim
Eu mesmo peço desculpa
Das minhas rimas ruim
Trabalhei fiz o que pude
Por ser eu um cara rude
Só deu pra sair assim.
ABC DO MOVIMENTO

Pessoal do movimento
Da praia serra e sertão
Eis aí um ABC
E veja se é ou não
Ou foi a sorte que quis
A nossa escravidão.


A Deus eu peço que dei-me
Criança em minha memória
Para que neste ABC
Para narrar toda história
Que temos no movimento
Trabalho e sofrimento
Na esperança de glória.


Bem-vindo seja todos
Orientadoras e dirigirentes
Que trabalham no movimento
Fazendo o mundo pra frente
Unidos nesta peleja
E tem mais a Santa Igreja
Que ajuda mais a gente.


Conhecemos que estamos
Nas maiores escravidões
Sem terras para plantar
Sendo sujeito os padrões
Produtos muito barato
E caro às rendas do mato
E estas as perturbações.


Deus deixou terra pra todos
Com ninguém fez distinção
E ela agora está dividida
Cortada de travessão
Façamos uma experiência
Vejamos se tem parença
Com o templo da criação.


Esta modificação
Que nos traz a Santa Igreja
É salvar o homem todo
E estamos nessa peleja
Oh Deus Pai onipotente
Será mesmo que a gente
Alcance o que se deseja?


Felicidade e fortuna
Peçamos a todo o momento
E lendo a “Bíblia sagrada”
Velho e novo testamento
Tirando boas mensagens,
Teremos grande coragem
De enfrentar os movimentos

Garanto que se nós todos
Chegar a se conscientizar
Por meio de reuniões
E unidos trabalhar
Venceremos as opressões
E estas nossas escravidões
Também realizar


Homens rurais já estão
Despertando de seu sono
Descobrindo seus direitos
Antes só era abono
E ninguém mais os olhou
E o pobre agricultor
Vivia no abandono


Iremos de agora em diante
Vivermos fraternalmente
Sentindo as torturas
Que a nossa classe sente
Com o decorrer dos tempos
E pelos nossos exemplos
Alguém ver que somos gente


Já temos um grande grupo
Da gente sindicalizado
Neste ponto já estamos
Muitos despreocupados
Pois pobre agricultor
Não pode pagar Doutor
E tem um ao nosso lado


Lamento ainda porque
As rendas de terras estão altas
E o pobre não plantando um ano
No outro ano faz falta
E se não plantar jamais
Sabe o que ele faz?
Encontrando um rico assalta


Manuel Edésio dos Santos
Afirma que é assim
Não ta falando com todos
Por ter o bom e o ruim
O bom se sente feliz
E o ruim é como se diz
Pedaço-de-mau caminho


Nunca pensei que o mundo
Tivesse tanta ingratidão
Sei que os sentimentos vêm
E desde o tempo de Adão
Peço a comunidade
Se é que somos irmão


Opressores eu advirto
Deixe os pobres sossegar
Pois eles também precisam
De seus salários ganhar
Olhem, somos uns moisesinhos
Lutando nestes caminhos
Atrás de se libertar


Peço a população
Pra todos ter amizade
Caminhando todos juntos
Que temos prosperidade
Como bonito olhar
Todo mundo trabalhar
O bem da comunidade


Querendo Deus nós seguiremos
Todos juntos como irmão
Com força fé e coragem
Como o rei Salomão
Vamos todos rezar
Para um dia se achar
No seio de Abraão


Rogo a Virgem Maria
Pedindo sua proteção
Mãe, olhai para nós
E veja a situação
Peço que não deteste
Salve homem do Nordeste
De sua escravidão

Sendo eu Zé Tição
Com a nossa vida dura
Aqui no meio rural
Pra que na vida futura
Encontramos a salvação
De nossa situação
A qual está obscura


Tiramos das escrituras,
Meios de se libertar
Pela lição de Moisés
Teremos que trabalhar
Unidos todos lutando
Reagindo e animando
Podemos tudo enfrentar.


Uma língua com o corpo
Segundo diz o rifão
O orgulho é quem castiga
Aqui em cima do chão
Nesta época remota
O pobre é quem se derrota
Sofrendo escravidão


Vejamos se eu não
Como a história diz
Será que estas opções
Foi o nosso pai quem quis?
Eu lhe afirmo que não
Esses são nossos irmãos “os ricos”
Que nos faz tão infeliz


Xora os pobres lavradores
E suas esposas também
Chora os assalariados
Porque nem ganhos tem
Por causa das opressões
E os terríveis patrões
Não abre nem para o trem


Zé vida dura diz
Assim por Zé Tição
Oh que trabalhos perdidos
As tal reunião
Mas Zé Tição não se cala
Com calma e jeito fala
Meu amigo não é não...


Til letra do fim
Está em meu coração
E também em nós irmãos
Ou será mesmo assim?
Queiram desculpar a mim
Se não saiu de seu gosto
Jorram lágrimas em meu rosto
Por não saber de quase nada
Com minha CRUZ pesada
Carregarei bem disposto.


Meus amigos eu desejo
A todas felicidades
Nunca se ouviu dizer
O que tiver amizade
E esse não pode entrar
Lá na eternidade

E por meios de amizade
De amor e união
E se arrepender dos pecados
Se perdoar o irmão
Isso faz com que nós todos
Obtemos a Salvação


Se todo fiel cristão
Agradar o salvador
Não pode perder a fé
Tendo tristeza e dor
O pai não dar salvação
Só o que diz Senhor, Senhor

É QUEM TRABALHA FAZ TUDO E NÃO TEM NADA - Manoel Edésio dos Santos

É QUEM TRABALHA FAZ TUDO E NÃO TEM NADA
COMO SOFRE UM POBRE CAMPONÊS.

O homem do campo é quem trabalha
Juntamente com sua companheira
No roçado, vazante e capoeira
Nem com isso ninguém não lhe atrapalha
A inflação para o pobre é uma cangalha
Que ao homem do campo não dar vez
Sendo ele humilde e bem Cortez
Mas a vida no pobre é atrasada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


E quem planta mandioca, feijão e milho
Arroz, algodão, trigo e macaxeira
Cana, batata, são muitas as fruteiras
Com a mulher eles e os filhos
Na luta cansados neste trilho
Mesmo assim enfrenta por sua vez
Trabalha dia, semana, ano e mês
Nas terras que ainda não são bem preparadas
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


As mulheres trabalham e fazem renda
E os homens se empenham no roçado
Alguns também lutam com o gado
Sofrendo em casa de fazenda
Muitos dias não tem nem a merenda
De sorte não tira uma reis
Nem que trabalhe quarenta dias no mês
De lutar vive de pernas enfadadas
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


Sendo do campo sofre até criança
Moça, rapaz e também mulher casada
Além da pobreza não tem nada
Desespera-se e não tem perseverança
Quando tem um pouco de esperança
Passa logo com muita rapidez
É o que eu tenho a dizer para vocês.
Que o pobre tem a vida aperreada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


Nós sofremos por causa do sistema
Alguém diz que a causa é a sequidão
Que aflagela a praia e o sertão
Tanta que chove e não resolve o problema
O pobre é assim mesmo – panema
Embora seja um bom freguês
O patrão não vende fiado nem um mês
Ele vive de cabeça pesada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


O pobre sem terra e sem patrão
Sem salário e sem ter uma segurança
E só resta um pouco de esperança
Em Deus pai protetor desta nação
Pois é ele que garante o nosso pão
Para mim e para todos vocês
O pobre sempre usa de acanhês
E tem sempre a vida complicada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


O pobre homem agricultor
Não tem médico quando adoece
Na verdade não tem o que merece
Só porque ninguém lhe dá valor
Ah se eu fosse governador
A reforma agrária vinha antes de um mês
Eu repartia as terras com vocês
Embora que elas tivessem cercadas
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


As mulheres feiteiras de chapéu
Não ganham nem para comprar um vestido
E o ganho mesquinho do marido
Ainda tem quem diga que é um céu
Para os pobres o sofrimento é cruel
Porque ele não tem a altivez
É quem merece a coroa de reis
Porque a nação por eles é sustentada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


Vamos ver se consegue a liberdade
Acabando com todas as injustiças
Abatendo dos ricos as cobiças
Fazendo com todos amizade
Trabalhando com muita seriedade
É o que eu espero de vocês
Se unirmos todos de uma só vez
Certamente enfrentamos a parada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


Sai a mulher os filhos e o marido
A trabalhar todo dia no roçado
Chega em casa com fome e enfadado
Os filhos que ficou de fraco de fraco estão caído
Chorando, sem roupa, quase despido
E os pais vendo aquela nudez
E pro feijão ainda falta mais de um mês
Chega a noite e sai de madrugada
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.


O tema é de Raimundo Cecília
E o autor da rima é Nelim
Veja como para o pobre é ruim
Hoje em dia para um pai de família
Sem terra, sem casa e sem mobília
Sem patrão e também sem ser freguês
Sem o ganho de um salário por mês
Sem estas coisas que foram relatadas
É quem trabalha faz tudo e não tem nada
Como sofre um pobre camponês.