quinta-feira, 30 de outubro de 2008

III Concurso de Produção Textual

III CONCURSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL DA SEMANA
DE EMACIPAÇÃO MUNICIPAL 2009
TEMA:“HISTÓRIA DOS LOCAIS” - NIVEL 6º AO 9° ANO.
GÊNERO: MEMÓRIAS

JANEIRO DE 2009

TEXTOS SELECIONADOS DAS ESCOLAS

AS FARINHADAS DE MEU PAI
EEf. FILOMENA MARTINS DOS SANTOS - CANEMA
NATÁLIA MARCE ALBUQUERQUE
8º. ANO A – TARDE

Eu sou Francisco José de Albuquerque e aqui recordo alguns momentos vividos em minha vida há anos passados, que para mim não passam desapercebidos mesmo sendo comparados aos nossos tempos atuais. Lembro-me com saudade de quando eu era criança e tinha mais ou menos dez anos de idade, na época da colheita dos nossos cultivos do ano todo: feijão, arroz, milho e a mandioca.

O feijão, o arroz e o milho iam para nossas cozinhas para serem preparados e servidos na hora da alimentação, para toda a família, sendo preparados em nossos fogões à lenha, e que, só mesmo, nossas panelas de barro seriam ideais para o nosso humilde fogão.
Da mandioca, meu pai Valdivino Aquino Albuquerque sempre fazia todos os anos geralmente no mês de setembro as nossas famosas farinhadas, que eram as mais compridas e que ainda é uma tradição na nossa família, muito valorizada e praticada por mim e muitos de meus dezenove irmãos.

Meu pai logo cuidava em arrumar as rapadeiras, o forneiro e ele mesmo cuidava em trazer a mandioca da capoeira até a casa de farinhada em cassuás carregado por jumentos, éguas ou cavalos.

Já era de costume todos acordarem cedo, mas nos dias de farinhada, mas cedo ainda, às três horas era o ideal para o trabalho ser começado e cada um na sua divisão de tarefas. Como saiam muito cedo, dificilmente alguém tomava o café antes de sair, então os donos da farinhada se encarregavam de trazer café com tapioca para servir a todos que ali trabalhavam.

Naquela época, o café era comprado em grãos que deveriam ir ao fogo depois pisá-lo em um pilão para então adquirir o pó do café e seguir com o processo usado hoje ainda, teriam o preparo da tapioca que não seria tanto complicado, mas como deveria ser feito no fogão à lenha, não seria tão fácil como se imagina.

A casa de farinha era de barro ou taipa, o monte usado para triturar a mandioca foi comprado em 1975, o montegomes, que foi usado por cinco anos por meu pai nas farinhadas, e foi substituído em 1980 por outro, o mesmo usado até hoje, mas antes desses motores, era usado a roda puxada por meu pai e outros homens.

Depois de triturada a massa era espremida em um alguidar, usado antes dos tanques, à noite deixava sair a manipoeira espremida para ficar somente a goma acentada. A lavagem da goma era feita com água trazida das fundas cacimbas para jogar na goma até desmanchá-la. No outro dia bem cedo tirava a goma do alguidar e colocavam no jirau para secar hoje se usa um secador. Depois disso iam peneirar a goma nas urupemas que após o forneiro tirar a última fornada de farinha, varria-se o forno e aos poucos a goma ia sendo jogada com o forno ainda quente para secá-la e , assim ficavam os donos da farinhada até alta noite, concluindo suas obrigações.


POESIA 2ª COLOCADA
NOVE DIAS SEM PARAR
Andreza Rodrigues Brandão – 13 anos – 9º. Ano –
EEF JOAO EVANGELISTA DA CRUZ

Nasci a cresci em Paraguai uma comunidade que já vivenciou muitos acontecimentos, entre eles a enchente de 1974. A partir daí Paraguai se desenvolveu rapidamente.
Era mês de março. Uma tempestade tomou conta do povoado. Começou a chover, uma chuva forte e sem tréguas. A tempestade durou nove dias sem parar. Eu nunca tinha visto nada igual.
Perto de minha casa havia um córrego, com a forte chuva o córrego transbordou e minha casa ficou completamente alagada. Meu quintal literalmente ficou semelhante a uma lagoa, pois até peixes lá nós pescávamos.
Um dia, dando uma volta em casa, percebi que a parede da sala estava rachada, pois as casas naquele tempo eram feitas de tijolos crus e sem nenhuma segurança. \então chamei meus dois filhos mais velhos, nós três colocamos uma carnaúba na parede como uma forma de nos protegermos, pois se deixássemos daquele feito a parede poderia sair e conseqüentemente também o teto.
As vezes precisávamos ir até a Caiçara, a nossa localidade vizinha. Mas para chegar até lá era preciso atravessar o córrego. Então nós colocávamos dentro de uma sacola a roupa seca e amarrávamos e colocávamos em cima da cabeça para não molhar. E assim nós atravessávamos o córrego, nadando sempre com o cuidado de não molhar a roupa. Quando chegávamos do outro lado do córrego trocávamos de roupa e íamos a pé o restante do caminho.
Quando a noite chegava eu, minha esposa e meus onze filhos, íamos dormir na casa de meu compadre Pedro Pereira, pois nossa casa não estava em condições para dormir, já a casa de meu compadre não estava alagada por ser construída em um porto mais alto. Alguns de nós dormíamos no chão por não ter rede para todo mundo.
Depois de três meses aquela água foi diminuindo e aos poucos tudo voltando ao normal.
Com o passar dos anos Paraguai já com suas experiências soube muito bem como se desenvolver, pois temos escola, posto de saúde...hoje só vivo pelo amor de meus netos e familiares que junto comigo relembram nosso passado.

Texto baseado na história de Francisco das Chagas Brandão de 88 anos.


POESIA 3ª COLOCADA
O COCHILO DA SAUDADE.

Numa tardinha ao pôr-do-sol, de olhos fechados em meu tucum de cordas, uma saudosa lembrança passou pela minha memória. Lembrei-me das histórias que minha avó Chiquinha costumava me contar.
Uma das histórias que eu mais gostava e que ela sempre me contava era a do cacimbão, um lugar onde eu e meus amigos gostávamos de brincar. Era tão bom!
Ela me contou que o cacimbão foi construído em 1.888 por conta de uma grande seca que desfavoreceu a região e que, por conta disso, o primeiro morador dessas terras, o capitão Frutuoso José de Freitas organizou um grupo de escravos e mandou que construíssem um poço que atingiu uma profundidade de 80 palmos.
Esse poço foi construído principalmente para dar água aos animais que morriam de sede no período da seca e para construí-lo, os escravos tiveram que cavar em um lugar onde já havia um pequeno córrego e após a escravidão, construíram paredes que revestiam três lados da barragem com tijolos trazidos á 25 Km de distância: a terra era retirada em cima de um couro de boi e puxado pelos escravos sobre uma rampa construída no outro lado da barragem. Os escravos colocavam a terra sobre o couro esticado e depois, o puxavam para fora do poço.
Nas cheias, a barragem era usada para pescaria e com tempo, foi soterrada, e em 1.983, recebeu uma nova escavação feita pelos moradores da comunidade com o incentivo do governo no programa bolsão e recebeu um poço no seu centro com 80 palmos de profundidade e 1,5 metro de diâmetro para se ter água sempre.
Hoje ela é a única obra renascente dos escravos que se conhece na região e os tijolos que revestiram as paredes ainda estão lá, podendo ser vistos no verão, quando as águas baixam e eles são uma amostra real da construção feita pelos escravos, pena que hoje ela é uma propriedade privada e sua água mata a sede apenas dos animais de seu proprietário.
Minha imaginação resgatou essas lembranças de uma forma tão carinhosa que acabei cochilando e revivendo todo o meu passado que hoje se faz presente em minha vida.


Texto escrito com base na entrevista feita com José Simão de Sousa, 55 anos.
Antônio Sérgio Marques
EEF Joao Evangelista Vasconcelos – Cajueirinho I



A ENCHENTE QUE NOS FEZ RECOMEÇAR
Samuel Morais de Freitas
EEF JOAQUIM JOSÉ MONTEIRO

Como tenho saudades daquele tempo... Lembro-me como se fosse ontem, o vai e vem do povo, pessoas vinham de lugares distantes para assistir missa em nossa capela, ver quermesse, comprar tecidos em algumas lojas que aqui existiam e principalmente realizar compras no “barracão”. Uma espécie de açougue que era feito de pau-a-pique para vender carne e peixe.
A diversão era certa, pessoas de toda os jeitos, uns proseavam e se divertiam bastante. Mas isso só acontecia na “Rua do Bode” assim chamada devido a grande venda de carne de bode.
No ano de 1.974 nos meados do mês de março, em uma única noite tudo passou a mudar por aqui. Ao anoitecer a comunidade estava embalada por uma música que parecia anunciar algo. Bem perto de minha casa, a vitrola tocava incansavelmente, uma música de “Salvino” que dizia: Esta noite eu queria que o mundo acabasse e pro inferno Jesus me mandasse. Quando relembro-me, dá até arrepios e tristeza na alma. Não sei ao certo quem pedia esta música, só sei que era um conterrâneo, um paulista, pois havia acabado de chegar.
Já era tarde, estávamos nos recolhendo para dormir, quando direpente um enorme dilúvio começa a cair. A lamparina já havia apagado, somente a clarear a Liz dos relâmpagos. Nossa mãe desesperada chamava-nos para rezarmos e morrermos juntos. Raimunda nossa irmã gritava bastante e pegava todos os pratos de alumínio e jogava-os lá fora para ver se a chuva parava e se acabaria os relâmpagos, mas nada adiantou, então a noite prosseguiu-se e a chuva só foi parar ao amanhecer. Muitas galinhas gritavam querendo descer do puleiro e vários pintos boiavam sobre a água, cerca de 20 casas inundadas, até o teto juntamente com a calçada da Igreja onde muitas pessoas aproveitavam para pescar.
Algumas pessoas estavam desesperadas, pois não sabiam o que fazer. Muitas ficaram desabrigadas como: Zé Bento, Inácio Marques, Raimundo Rufino, Abel Tomás, Carias e etc.
Hoje, tenho um enorme orgulho de meu lugar, pois não somente eu, mas toda comunidade. Agradecemos todos os fundadores e descobridores deste lugar. Com cerca de 750 habitantes e se localiza-se a 24 Km da cidade de Cruz, “Um bom lugar de se viver”. Com tudo isto, nunca sairá a pergunta de minha cabeça, será que ela algum dia será cidade? Quem sabe se ela for cidade e possa chamar-se de Montirópoles.

Baseado na historia de Maria Fátima de Freitas.


Meu querido passado não posso esquecer
Autor: Maria Gleiciane de Sousa - 14 anos
Entrevistado - Maria Silvelena Muniz
Professor: Francisco Henrique da Conceição
Série: 8º. Ano
EEF. São Paulo


No meu lugarzinho era tudo muito legal. Tinha precisão, mas a gente sempre dava um jeitinho, gostava muito de brincar com minhas bonecas de pano, eram velhinhas, mas eu gostava muito delas. Meu pai ia pescar, minha mãe ficava trabalhando, puxava água naquela cacimba. A água era linda, azul e muito boa. À noite meu pai chegava com bastante peixe, eu e meus irmãos íamos tratar os peixes enquanto minha mãe ia fazer o fogo, para cozinhar os peixes pro jantar. Enquanto cozinhava nós ficávamos esperando na sala com a lamparina acesa, num instante cozinhava. Minha mãe colocava o prato do meu pai depois o nosso.
De manhã depois de tomar nosso café era só maravilha, começava, tudo de novo.
No tempo das frutas, dava muita azeitona, manga e murici nem se fala, íamos apanhar e quando chegamos com a sacolada, fazíamos aquela cambica gostosa.
Nos tempos das farinhadas era uma festa só, minha mãe trazia aqueles beijus e tapiocas e também a farinhada.
E no inverno que a lagoa enchia, eita que era bom demais, nós íamos tomar banho, a água esverdeada. Quando não íamos pra lagoa íamos pra praia, ajudávamos meu pai e os outros pescadores, puxar a rede. Quando íamos embora, corríamos para subir e descer as dunas, era lenda a paisagem lá de cima do alto, hoje ta tudo diferente, não é mais como antes.
Na época das fogueiras pegávamos paus para fazer uma bem grande, brincávamos até tarde, passávamos fogo, quando o sono chegava íamos dormir, minha mãe também gostava de organizar leilões e cantorias. Quando estávamos sem nada pra fazer íamos ouvir músicas no radinho de pilha.
Na capoeira do meu pai tinha milho, feijão, batata melancia...o que eu mais gostava era do milho comia cozido, assado ou torrado.
A gente estudava mais não era como hoje em dia, a gente estudava mais era longe e tinha que ir a pé. E na escola quem não obedecia levava uma dúzia de bolo nas mãos. Nesse tempo, não tinha merenda, mesmo assim estudei até a 4ª. Série.
Cresci assim, mim casei criei minha família e até hoje sou muito feliz.


Precisão - pobreza
Cacimba - poço
Tratar - limpar
Lamparina - objeto usado para clarear a noite funciona a querozone.
Cambica - suco de murici bem forte que a gente toma com farinha.
Passar fogo - Tradição onde se arranja, padrinho, cumpadre e comadre.
Capoeira - onde se faz a roça.

Sofá amoroso
Aluna: Andréia Maiara Cunha
Escola: EEF. Manoel Antônio da Silveira
Ano: 9º. Idade: 13 Anos

Meu pai tinha a velha opinião de dizer que moça não namorava. Era meu primeiro dia de aula, e quando cheguei na escola, toda a turma já estava reunida, e eu muito envergonhada, fiquei com as pernas trêmulas e minhas mãos não paravam de suar.
_ Entra, Margarida! Olhei para todos os ângulos e avistei Pedro, com aquele sorriso lindo no rosto, que me fez ficar sem jeito de entrar na sala com meus velhos tamancos empoeirados que fazia um barulho estranho e espantoso.
Pedro era meu primeiro namorado, e tinha muito medo de contar para meu pai, dava-me uma falta de ar, sentia meu coração pulando de aflição. Mas lá no fundo sabia que meu pai tinha a mente de um homem vivido e que iria me compreender.
Em poucos meses, Pedro já freqüentava a minha casa, meu sonho tinha se realizado. Minha casinha era no alto da serra, e quando avistava um rapaz de bicicleta, subindo e descendo do morro, começava a me “periquitar” toda, pois já sabia que era o Pedro.
O sofá de casa era o lugar onde passamos a nos conhecer melhor, foi onde pude ouvir pela primeira vez um “Eu te amo”.
Um dia, quando cheguei do trabalho, um pequeno espaço da casa estava vazio. O sofá amoroso tinha sido vendido para o humilde museu da cidade, pois meu pai estava passando por dificuldades financeiras e o sofá era o único objeto de valor. Todos os anos vou ao pequeno museu olhar o velho sofá que me relembra toda a minha história amorosa.

Palmatória: castigo severo
Aluna: Maria Carolina de Sousa
Escola: EEF. Raimunda Elvira Brandão
Idade: 14 Anos Ano: 9º.

Eu, Raimundo Nonato Sobrinho, me recordo que quando eu era criança existia a palmatória, um castigo severo que era aplicado às crianças quando estas não se comportavam direito ou quando elas erravam. A palmatória era aplicada na palma da mão, era um cabo de madeira com uma haste.
Eu acredito que a palmatória não é certa porque as crianças acabavam por criar um trauma de virem para a escola e lá apanharem dos professores. Na minha opinião existem vários castigos, mas nenhum tão severo quanto a palmatória, porque os alunos sentiam-se humilhados, pois alguns alunos riam ao ver estas cenas. Depois de apanharem muitos alunos desistiam de estudar ou se vinham não prestavam muita atenção na aula.
Acredito que a palmatória ou qualquer outro castigo acontecia porque os professores se achavam os “todo-poderosos” e não admitiam que os alunos pudessem tirar um pouco deste poder e quando achavam que estavam tirando este poder queriam se vingar daquele aluno. Eu também, às vezes me pergunto como seria se ainda existissem estes castigos, porque com as facilidades de hoje muitas crianças não querem estudar, eu imagino como elas agiriam se fosse igual ao meu tempo.
Podemos concluir que hoje em dia é melhor de se estudar, porque não existe mais a palmatória, um castigo tão severo. Eu só queria saber, porque as crianças de hoje não gostam muito de estudar, porque se fosse no meu tempo eu teria estudado.
Um dia de descobertas
Numa linda manhã, estou andando pela minha linda comunidade de lagoa Salgada, localizada na cidade de Cruz, estado do Ceará, quando de repente me deparo com a pequena lagoa que deu origem ao nome do meu lugar. Fico a pensar porque o nome foi originado dessa lagoa e como será a história de antigamente? E como lembrei de um morador antigo que gosta de falar sobre o passado dele eu resolvi ir até lá. O nome do morador é Edmilson Fabião de Sousa, ele tem 74 anos.
Ao chegar lá, explico o motivo de estar ali, e só em falar a palavra “passado” seu edmilson já se sente orgulhoso de ser entrevistado e emocionado ao relembrar como era sua vida antigamente. Para começar com chave de ouro nossa conversa ele fala:
_ Com todo prazer eu lhe falo como era nosso lugar naquele tempo.
Após ouvir isso, fiquei com a língua afiada para fazer perguntas. Comecei perguntando como eram as casas e as roupas antes. Ele disse que eram bem simples e de taipa - casinhas feitas com barro e cipó - e algumas de palha; as de tijolos nem se ouvia falar direito, se tivesse algumas, eram bem poucas. Já em relação às roupas, eram constituídas de algodão e produzidas com a ajuda de um tecedor - objeto utilizado para tecer roupas - pois naquela época eles não tinham condições de comprá-las. Quis saber também como eram as ruas, e ele respondeu que tinham poucas e eram cheias de areia. Uma hora muito engraçada foi quando eu perguntei como eram os namoros e ele muito envergonhado disse que antes de casar eles só pegavam na mão e trocavam olhares.
E conversamos sobre diversas coisas daquela época. Chegou o momento que minha curiosidade maior ia receber atenção, pois ele me falou a origem do nome Lagoa Salgada, que era por causa de uma enchente e a água salgada passou para a lagoa, assim foi originado o nome do nosso local.
E depois de termos conversado bastante, nos despedimos e antes de eu ir, ele exclamou:
_ Percebeu como várias coisas mudaram, mas uma coisa eu lhe digo, eu não troco o meu passado por nada, sabe por quê? Porque ele foi e será inesquecível e insubstituível.
E assim fui embora muito alegre e satisfeita por saber a história da minha querida comunidade.
História adaptada da vida do Senhor Edmilson Fabião de Sousa.

Os dias de ontem e hoje
Aluna: Chirlândia Keila Nascimento
Escola: CEB. Paulo Freire
Idade: 15 Anos Ano: 9º

Eu, José Francisco do Nascimento, conhecido por Zé Chico, conheço bem os dias anteriores e os dias de hoje. As farinhadas, por exemplo, antigamente não tinha carroças, energia elétrica, motor, era preciso que a gente se esforçasse muito, pois era trabalho difícil e tudo a base da força humana. Hoje com a modernidade tudo é mais fácil, ao invés dos caçoas temos carroças, das lamparinas à energia elétrica, da força humana o motor e assim por diante.
O mais engraçado de se falar era como as pessoas namoravam, primeiro, para a mulher saber que o cara estava afim dela ele jogava pedrinhas na janela do quarto da moça, que significava que ele queria namorar ela, então ele pedia permissão aos pais da mulher, se deixassem bem, se não, era melhor sair dali antes que a coisa esquentasse. Quando o homem ia namorar a mulher, ficava assim, ele de um lado, o pai no meio e ela do outro lado. Mas ás vezes o cara dava uma de esperto e ia puxar água com a mulher, que levava uma lamparina, eles derrubavam a lamparina dentro da cacimba que era pra ficar no escuro.
O namoro de hoje já é bem diferente. O homem sempre acompanha a mulher, sempre saem juntos, às vezes até dormem na casa do sogro, por isso que eu acho que o mundo de hoje não é mais a inteligência de antigamente. É difícil hoje, ver alguém com o comportamento daquela época, bons anos eram aqueles que não tinha atrevimentos e todos se respeitavam. A vista de hoje que é um mundo que precisamos mudar, para que novas gerações possam vir.

Um ano difícil
Aluna: Ashelley Gomes da Silva
Escola: CEB. Maria pereira Brandão
Idade: 14 Anos Ano: 9º.

Tinha quatro anos de idade no ano de 1974. Estava brincando na frente da minha casa quando de repente ouvi um barulho estranho, quando olhei para frente avistei uma terrível inundação que de mim se aproximava, então fui de encontro a água e peguei um graveto e comecei a riscar o chão que ainda estava seco para vê-la cobrir os riscos.
Quando cheguei em frente à porta de minha casa olhei para dentro notei que a água borbulhava em seus ladrilhos. Foi então que começou a inundar tudo.
Pegamos somente algumas redes e roupas e saímos a procura de abrigo. Minha mãe com meu irmão no colo e me puxando pelo braço. Quando passávamos debaixo das grandes árvores as cobras que também estavam a procura de abrigo se enroscavam na minha cintura e nas pernas de minha mãe que gritava apavorada.
Caminhamos muito até encontrar um casarão de degraus bastante altos. O dono era um grande amigo do meu avô.
Ao entrarmos nos degraus com um jiral de material muito alto. Minha mãe colocou meu irmão e eu lá em cima. Ele era tão alto que encostava minha cabeça no teto.
Além de nossa família havia mais três. Não tínhamos como fazer nada para comer, e bebíamos apenas a água que corria dentro de casa.
Meu avô saiu nadando nas águas que corriam nas ilhas para salvar seus animais, alguns morreram, mas outros sobreviveram. Na hora em que foi salvar seu cavalo foi puxado para dentro de um funil e quase morreu.
Passado três dias de sofrimento, chegou dois homens numa canoa para nos resgatar. Os primeiros a serem resgatados fomos nós. Logo em seguida as outras famílias.
Deu-se então o fim dessa longa e terrível tragédia que nos deixou somente com Deus e comendo de esmola. Mas Deus nos deu uma segunda chance para recomeçarmos do zero.
E hoje tenho o prazer e a satisfação de contar esta história apesar do que aconteceu comigo.
Baseada na história de Maria Luzinete Gomes de Paulo.

Nove dias sem parar
Aluna: Andreza Rodrigues Brandão
Idade: 13 anos
Ano: 9º.
Escola: EEF: João Evangelista da Cruz

Nasci e cresci em Paraguai: uma comunidade que já vivenciou muitos acontecimentos, entre eles a enchente de 1974.A partir daí, Paraguai se desenvolveu rapidamente. Era mês de março. Uma tempestade tomou conta do povoado. Começou a chover, uma chuva forte e sem tréguas. A tempestade durou nove dias.Eu nunca tinha visto nada igual.
Perto de minha casa havia um córrego, com a forte chuva o córrego transbordou e minha casa ficou completamente alagada. Meu quintal literalmente ficou semelhante a uma lagoa, pois até peixes lá nós pescávamos.
Um dia, dando uma volta em casa, percebi que a parede da sala estava rachada, pois as casas naquele tempo eram feitos de tijolos crus e sem nenhuma segurança. Então chamei meus dois filhos mais velhos, nós três colocamos uma carnaúba na parede para nos protegermos. Se deixássemos daquele jeito a parede poderia cair e conseqüentemente também o teto.
Às vezes precisávamos ir até Caiçara, nossa localidade vizinha. Mas para chegar até lá era preciso atravessar o córrego. Então nós colocávamos dentro de uma sacola a roupa seca e a amarrávamos e colocávamos em cima da cabeça para não molhar. Quando chegávamos do outro lado do córrego trocávamos de roupa e íamos a pé o restante do caminho.
Quando a noite chegava eu, minha esposa e meus onze filhos, íamos dormir na casa de meu compadre Pedro Pereira, pois nossa casa não estava em condições para dormir, já a casa de meu compadre não estava alagada por ser construída em um ponto mais alto. Alguns de nós dormíamos no chão por não ter rede para todo mundo.
Depois de três meses aquela água foi diminuindo e aos poucos tudo voltando ao normal. Com o passar dos anos Paraguai já com suas experiências soube muito bem como se desenvolver, pois temos escola, posto de saúde e hoje só vivo pelo amor de meus netos e familiares que junto comigo relembram nosso passado.
Texto baseado na história de Francisco das Chagas Brandão de 88 anos.

Meu querido lugar não posso esquecer
Aluna: Maria Gleiciane de Sousa
Escola: EEF> Renato Gonçalves Lourada
Idade: 14 Ano: 8º

Há muito tempo, no meu tempo de criança, gostava muito de me divertir. Gostava de brincar com as minhas bonequinhas de pano com as minhas irmãs. Perto da minha casa havia uma lagoa, gostava muito quando minha mãe ia para lá porque ela arrancava junco com meu pai e eu ficava tomando banho com meus irmãos, era tudo muito legal.
O junco que minha mãe arrancava ela levava para secar. Quando já estava seco, fazia esteiras e vendia. Com o dinheiro arrecadado comprava nosso alimento. Era assim! As coisas eram difíceis, mas a gente sempre dava um jeito.
Quando fazíamos viagens íamos a jumento, que era bem utilizado naquela época. Era super divertido. O jumento era usado também para carregar tijolos, eu gostava muito dessa tarefa.
Já para ir a escola íamos a pé. Era longe de casa, mais estudávamos. Além de ser longe não tinha merenda. Mas fiz até a quarta série.
Sabe uma coisa que eu gostava mesmo? Era quando faziam farinhadas. Minha mãe trazia beijus, carraspanhas e farinha, era uma farinha nova e gostosa.
Também no tempo que dava frutas, era muito bom, era um dos meus tempos favoritos. Comíamos manga, azeitona, murici, caju, enfim. Lembro quando minha mãe fazia canjica, doces deliciosos de caju e assava castanha.
O meu pai era pescador e agricultor, quando era no tempo da pescaria ele levava muitos peixes e fazia capoeira, plantava muitas coisas. Plantava milho, feijão e melancia. Eu gostava quando a mamãe fazia pamonha e canjica. Era delicioso.
Mina mãe gostava de fazer várias coisas para alegrar o lugar. Fazia leilões, canteiros cruzados. No tempo das fogueiras nos divertíamos muito também. As coisas de antigamente eram muito interessantes. Gostei do meu tempo de criança. Passei pela adolescência e hoje estou adulto, mas tenho muito orgulho do meu passado. Ele está gravado no meu pensamento, por isso nunca esquecerei.

A biografia de Filomeno Freitas Vasconcelos
Aluno: Sávio Hércules Farias
Idade: 11 Anos
Escola: EEF. Filomeno Martins Vasconcelos
Ano: 6º

No dia 30 de janeiro de 1896 o dia amanheceu diferente, o sol irradiou lindos raios para iluminar a vida de um ser. D. Maria e seu esposo sentiam bastante alegria, pois Filomeno nascia. O tempo passou e ele se tornou uma criança adorável e sempre ajudava o pai em seus afazeres. Mas também era muito levado.
Um dia ele viu um galo que era de sua mãe e derrubou a vara em cima dele. Quando seu pai chegou, os irmãos foram logo mostrá-lo e o pai deles pediu que sua mulher preparasse par o jantar, nem sequer entristeceu.
Quando completou dezoito anos foi para Fortaleza, servir o Exército, um ano passou lá. Depois de voltar conheceu Luíza e se casaram, este casamento foi maravilhoso e dele nasceram oito filhos: Terezinha Aurélia de Vasconcelos; Djacir de Freitas Vasconcelos; Maria Esmeraldina de Vasconcelos e José Benedito de Vasconcelos.
Filomeno comprou farinha na Lagoa Salgada e foi buscar em um jumento. Durante esta viagem ele quis lhe derrubar e ele caiu em cima de um aroá, furou o dedo do pé e uma febre apareceu, foi levado para Fortaleza e passou vinte e cinco dias em coma, depois disso voltou para casa e continuou sua profissão que era comerciante. Depois de alguns anos começou a sentir uns problemas de saúde, até que foi descoberta a “aminésia”. A doença foi se agravando e ele morreu em 1966, com 70 anos.
Por isso nossa escola tem o nome Escola de ensino Fundamental Filomeno Freitas Vasconcelos por ter cumprido seu papel, ajudando quem mais precisava. Na década de 69 do século passado ele morreu deixando seu legado para todo o bairro e comunidade cruzense.

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