sexta-feira, 1 de junho de 2007

Origem de Porteiras - Jaime Farias

A anos que eu planejava

Narrar um original

Do belo Sítio Porteiras

Que é um simples local

Porem, me serviu de berço

E meu torrão Natal



Deu-se esse nome eu local

Logo que foi habitado

Pelo Farias e seu pai

Que ali criavam gado

E no verão carecia

De, na linha ser tratado



Nada, ainda era cercado

E o manguezal era extenso

O ribeirão, cada ano

Tinha um lugar mais propenso

Para passagem ao gado

Era um trabalho imenso



Então, no lugar propenso

Do rio, quebravam a barreira

E na barranca do mesmo

Colocavam uma porteira

Assim era o gado preso

Sem voltar pra capoeira



E na enchente altaneira

Tiravam o gado pra mata

Mas como o leito dos rios

Toda enchente desacata

Era feita outra passagem

No verão, na mesma data



E assim a história relata

Pelas muitas travessias

Do alto, pra aquela ilha

Que se conhece hoje em dias

Porque ficou conhecida

Por, PORTEIRAS DO FARIAS



Meus avós, meus tios e tias

Foram testemunhas disto

Leão, filho de Farias

Antônio, Pedro e o Sisto.

Pedro Gregório, seu genro

Todos relatam isto



Naquele tempo foi visto

Toda essa terra em comum

Isto é, era de todos

OU não era de nenhum

O desmantelo chegou

No ano de trinta e um.



Foi então, grande o zum-zum

Que mexeu com muita gente

Para medição da terra

Surgiu logo um requerente

Comerciante de CRUZ

E do Farias, parente



Eu digo que era um parente

Urbano José Silveira

Por ambos serem bisnetos

Do velho Chico Teixeira

Cuja família da Cruz

Dominantes da Ribeira



Como de Cruz, as Porteiras

Media-se uma légua, então

O Urbano requereu

Do DOMÍNIO DA UNIÃO

Da Data Légua de Cruz

E aí, veio a medição



Em uma reunião

Acertaram um plano ageito

Que os apossados da data

Só teriam um direito

Se pagasse um travessão

Para o seu limite feito



Como não a via jeito

O pobre desprevenido

Sem puder pagar as custas

Como ficou decidido

Ficou sem o seu direito

Quase que, como agredido



Como fora decidido

Naquele plano bem feito

Todo direito de posse

Pro pobre, não teve efeito

Foi posta a terra em leilão

Para o rico ter direito



E o pobre desse jeito

Começou a sofrer na vida

Em ficar como agregado

Sem conforto e sem guarida

No cantinho onde viveu

Com a família querida



No desespero da vida

Os que tinham espírito forte

Desertaram desta terra

Para o Sul, ou para o Norte

E os que ficaram, sofreram

E ainda sofrem o duro corte



Meu pai, contou-me, por sorte

Um passado interessante

Que lhe ocorreu, nesta tal

Medição extravagante

Pelo qual, achei meu pai

O homem mais importante



Em abril de trinta e um

Logo após a medição

A terrinha do pai dele

Ia pra arrematação

Que o velho não tinha como

Pegar o seu travessão



E o travessão que era o último

da DATA LÉGUA, chamada

Meu pai, valeu-se de roça

E fez uma farinhada

Vendendo todo o produto

Fez a terra resgatada



Fez três arrancas da roça

Quase toda, quanto tinha

Por felicidade, deram

Três alqueiras de farinha

Vendeu por trinta mil réis

Mas resgatou a terrinha



Na qual criou os seu filhos

Seus manos, criaram os seus

Os netos do meu avô

Criaram os deles; e eu os meus

Que maravilha! Meu pai!

Demos mil graças a Deus



Por isso é que sempre amo

O Torrão onde nasci

Porteiras é o meu local

Onde nasci e cresci

E meu pai, morto, ainda o vejo

A meu lado, como o vi



A graça do amor paterno

O tempo nunca destrói

Quanto mais tempo se passa

Mas a saudade constrói

Um amor envaidecido

Por ter sido um pai herói.

5 comentários:

fabio miguel disse...

ao ler uma poesia que,relata os meus antepassados..e essa poesia ter sido escrita pelo meu avô... me enche de orgulho, me faz lembrar do meu torrão...ñ de agora...mas sim da minha infancia ao lado dele " o maior o poeta de cruz "

Valmar Menezes disse...

Depois de muitos anos tenho a oportunidade de rever estas belas poesias que meu querido avô escrevia, grande poeta e personalidade cruzence.

lucas farias disse...

esse grande e inlustre homem tem sua marca registrada em cruz e porteiras suas poesias e musicas sao facinantes tem orgulho de ser seu neto homem muito intelequitual

Lingua Inglesa disse...

Meu pai, Sr. Jaime um homem guerreiro, honesto, humilde e manso de coração. Sempre que me encontro triste, me fortaleça relendo parte de suas obras. Obrigado Evaldo por ter publicado o acervo .

Lingua Inglesa disse...

Meu pai, Sr. Jaime um homem guerreiro, honesto, humilde e manso de coração. Sempre que me encontro triste, me fortaleça relendo parte de suas obras. Obrigado Evaldo por ter publicado o acervo .